Gabriel Bortoleto e Nico Hulkenberg identificaram o desempenho do motor em temperaturas elevadas como uma das principais dificuldades enfrentadas pela Audi na temporada de 2026 da Fórmula 1. Depois dos problemas registrados no GP do Bahrein, disputado na Malásia, a dupla já se prepara para um novo teste de resistência térmica em Singapura, etapa historicamente marcada pelo calor e pela umidade extremos.
Calor expõe limitação da unidade de potência
Em declarações ao Motorsport.com, Bortoleto não escondeu a preocupação com o comportamento do motor alemão em condições de altas temperaturas. "Sim, eu diria que, neste momento, especialmente nas últimas corridas, essa é a nossa maior limitação", afirmou o piloto brasileiro. Ainda assim, ele faz questão de contextualizar o cenário dentro da curva natural de aprendizado da Audi em seu primeiro ano como fabricante de motores na categoria, avaliando como "decente" o que já foi entregue até aqui, mesmo reconhecendo que ajustes na dirigibilidade e na climatização ainda são necessários.
Hulkenberg reforçou o diagnóstico do companheiro de equipe e adotou um tom cauteloso em relação à etapa de Singapura. Segundo o alemão, a Malásia "revelou algumas coisas novas" sobre as limitações da power unit em climas quentes, e ele não espera um cenário muito diferente no circuito de rua asiático, conhecido por suas condições climáticas exigentes tanto para carros quanto para pilotos.
Confiança no histórico da Audi em outras categorias
Apesar das dificuldades pontuais, Bortoleto expressou confiança plena na capacidade da fabricante alemã de evoluir o projeto. O piloto recorreu ao histórico da marca em competições como o DTM e as 24 Horas de Le Mans para sustentar sua expectativa. "Essas pessoas em Neuburg construíram os melhores motores de outras categorias das quais participaram no passado, e não tenho dúvidas de que farão o mesmo na F1", declarou.
O brasileiro também pediu ponderação ao avaliar o primeiro ano da Audi como motorista na Fórmula 1, lembrando que seria irreal esperar perfeição logo de início. Em tom bem-humorado, ele destacou a necessidade de paciência com o desenvolvimento técnico, reafirmando a confiança na equipe de engenheiros baseada em Neuburg.
Pacote de Baku confirmado na Malásia
Enquanto o motor segue como ponto de atenção, a Audi recebeu sinais mais animadores em relação ao desempenho aerodinâmico do carro. O pacote de atualizações apresentado no GP do Azerbaijão havia gerado dúvidas, já que o traçado de Baku, com predominância de curvas de 90 graus, não permitiu uma leitura clara dos ganhos reais. Os treinos realizados na Malásia, no entanto, trouxeram respostas mais conclusivas.
Bortoleto afirmou que as melhorias se confirmaram em todas as fases da curva. "Na entrada, no meio e na saída das curvas, acho que demos um bom passo em todas as áreas", avaliou. Para o piloto, as incertezas que surgiram após o fim de semana complicado em Baku já podem ser deixadas de lado, com o time mais seguro de que o desenvolvimento segue na direção certa.